segunda-feira, 23 de junho de 2014

Bullying - Como identificar uma vítima

Diante do atual cenário escolar, o fenômeno Bullying torna-se assunto indispensável.
Atinge todo o mundo, qualquer escola ou estudante. São as simples ‘brincadeirinhas de mau-gosto’ de antigamente, que hoje são consideradas ponto gatilho para novos transtornos.
O Bullying é uma relação interpessoal com uso de violência física ou psicológica, entre pares, que segundo a ABRAPIA (Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e a Adolescência) é constituída por atitudes, tanto intencionais como repetidas, que acontecem sem motivo aparente, por um ou mais estudantes contra outro(s), provocando dor, angústia, e executadas através de uma relação desigual de poder, podendo se manifestar de três formas distintas:
1. Direta e física: bater ou ameaçar bater, roubar objetos, estragar pertences, extorquir ou ameaçar extorquir dinheiro, forçar comportamentos sexuais ou ameaçar fazê-lo, obrigar ou ameaçar colegas a realizar tarefas contra a sua vontade.
2. Direta e verbal: falar mal, gozar, fazer comentários racistas ou que salientem qualquer defeito ou deficiência dos colegas.
3. Indireta: excluir alguém do grupo ou das atividades, ameaçar com frequência a perda da amizade ou a exclusão do grupo de pares, espalhar boatos e/ou rumores, manipular a vida social do colega.
Mas, para caracterizar Bullying são necessários, no mínimo, três ataques contra a mesma pessoa, ao longo do ano.
E como perceber se a criança está sofrendo com algo tão ameaçador?
Os sinais mais frequentes, em vítimas de Bullying são:
Na escola
1. Mudança súbita no desempenho;
2. Assiduidade irregular;
3. Perda de interesse nas atividades escolares;
4. Declínio na qualidade do aprendizado;
5. Ou sucesso acadêmico, pois se apega ao professor;
6. Dificuldade em concentrar-se nas aulas;
7. Vai para o intervalo mais tarde e regressa à sala mais cedo;
8. Dificuldade de aprendizagem;
9. Falta de interesse pelos eventos da escola;
10. Desiste de atividades de que gosta.
Socialmente
1. Solitário, retraído, isolado;
2. Competências sociais e interpessoais inexistentes ou fracas;
3. Poucos amigos, muitas vezes é o último a ser escolhido para grupos ou equipes;
4. Falta de humor ou uso inapropriado dele;
5. Frequentemente riem dele, provocam-no, importunam-no, rebaixam-no;
6. Frequentemente maltratado e/ou agredido por outros alunos e não se defende;
7. Tem ombros caídos, cabeça baixa, não olha as pessoas nos olhos;
8. Apresenta uma diferença notória que o destaca dos seus colegas;
9. Muitas vezes é de uma tradição cultural, étnica e/ou religiosa que o coloca em minoria;
10. Prefere a companhia dos adultos;
11. Provoca, aborrece e irrita os outros, não sabendo quando deve parar;
12. Subitamente, pode começar a usar Bullying com os seus companheiros.
Físico
1. Frequentemente doente;
2. Frequentes queixas de dores de cabeça, de estômago, e outras doenças psicossomáticas;
3. Arranhões, marcas no corpo, roupas rasgadas ou outros pertences estragados, para os quais não há explicações evidentes;
4. Repentina gagueira;
5. Tem uma deficiência física;
6. Apresenta uma diferença física que claramente o destaca dos seus pares – usa óculos, é obeso, aparência diferente, caminha de forma “esquisita”, etc.;
7. Alteração nos hábitos alimentares, perda súbita de apetite;
8. Desastrado, descoordenado, fraco em atividades físicas;
9. Menor que os seus colegas;
10. Fisicamente mais fraco do que os seus colegas.
Emocional / Comportamental
1. Súbita alteração de humor ou de comportamento;
2. Passivo, tímido, calado, envergonhado, mal-humorado, isolado;
3. Nenhuma ou baixa autoconfiança/autoestima;
4. Pouca ou nenhuma competência assertiva;
5. Extremamente sensível, cauteloso, dependente de outro;
6. Nervoso, ansioso, preocupado, medroso, inseguro;
7. Chora com facilidade, tem oscilações extremas de humor;
8. Genioso, impulsivo, agressivo, tenta dominar (mas perde sempre);
9. Se sente culpado por seus problemas/dificuldades;
10. Excessivamente preocupado com a sua segurança pessoal, muitas vezes evita certos locais da escola;
11. Fala sobre fugir de casa;
12. Fala sobre suicídio;
E como acomete, principalmente, crianças nos primeiros anos de escolarização, é muito fácil gerar um trauma ao psiquismo das vítimas e dos envolvidos no Bullying. Muitas crianças desenvolvem medo, pânico, fobias, depressão, distúrbios psicossomáticos e evitam voltar à escola. Tendem a crescer com sentimentos negativos, insegurança, baixa autoestima e em caso extremos, podem inclusive, cometer suicídio.

Faz-se necessário, portanto, que todas as pessoas que interagem com crianças, conheçam o problema, suas características, sintomas e fiquem atentos à manifestação dos sinais, pois quanto mais rápido o Bullying for identificado, melhor o prognóstico. 





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