segunda-feira, 16 de junho de 2014

Histórias que curam

O que fazer se o seu filho sofre com pesadelos, com o medo de fracassar ou com alguma fobia? O que fazer se ele é alérgico ao leite de vaca, pólen, tomate ou poeira? Simples: você lhe conta uma história. Essa é a dica dos autores do livro ‘Healing Stories for Children’
A ideia surgiu após Paul Liekens, trainer em PNL, participar de um programa de televisão na Holanda em 1999. Durante o programa, Paul explicou como fobias e alergias podiam ser curadas usando técnicas de PNL. Após o programa, o canal recebeu diversas chamadas de pais preocupados com os filhos que sofriam de alergias e outras sensibilidades.
Como as crianças não respondem bem às técnicas abstratas da reprogramação PNL, o trainer pesquisou formas para alcançar o subconsciente deles e teve a ideia de utilizar contos e metáforas para atingir o objetivo. Criou, então, um projeto piloto usando histórias com 20 crianças. Os resultados foram surpreendentes, 18 das 20 crianças superaram seus problemas.
De acordo com os autores, os processos biológicos são conduzidos pelo subconsciente. Por exemplo, se há intoxicação alimentar depois de comer camarão, o subconsciente pode repetir a reação com outros frutos do mar, pois por trás dessa reação exagerada, há a intenção do organismo em proteger a pessoa de ficar novamente doente.
Os contos de fadas dão aos jovens a oportunidade de reconhecer aspectos de suas próprias vidas, sem chamar atenção diretamente para os próprios padrões. Uma criança pode se identificar intensamente com um bichinho de pelúcia ou um herói por exemplo. O que acontece com o personagem da história é, na verdade, o que a criança está experimentando em sua vida real e se tal personagem se cura de um sintoma particular, a criança também pode.
Nas histórias, Liekens também ajuda as crianças a descobrirem que têm pequenos ajudantes em suas barrigas (o seu próprio poder de cura). E que podem perguntar a eles o que quiserem. Nas histórias, os personagens se tornam fortes, mais inteligentes ou desenvolvem mais autoconfiança e a ‘desculpa’ alérgica, por exemplo, não é mais necessária.
O livro também fornece dicas práticas para ajudar os pais a criarem suas próprias histórias, de acordo com os problemas específicos de seus filhos.
Qualquer um pode escrever uma história que cura. Veja as dicas e crie você mesmo:
1. Qual é o problema do seu filho? Medo de ler em voz alta em sala de aula? Medo das outras crianças não gostarem dele? Se sente inferior porque não conseguir fazer a lição de determinada matéria?
2. O que seu filho gosta? Quais os heróis com que ele mais se identifica? Quais são os bichos de pelúcia que ele mais gosta? Quais os programas de televisão? O que ele gosta de fazer? Quais os seus esportes ou atividades favoritas? Quais são os seus traços característicos e peculiares?
3. Escolha um personagem e um contexto para a sua história. Escolha um mundo no qual a criança será capaz de se divertir. Príncipes, planetas, animais ou insetos podem ser boas opções. Decida que animal ou bicho de pelúcia será o personagem principal. E lembre-se: ele representará seu filho.
4. Agora, elabore um começo para essa história. O personagem principal deve ter muitas aventuras divertidas, mas também tem problemas similares aos sintomas da criança. Mas o personagem não deve ser doente, apenas ter o problema.
5. Depois, imagine um final incrível. O personagem principal chegou onde queria: ser mais forte, mais inteligente, livre dos sintomas, capaz de comer o que quer etc. Crie, a história é sua!
6. E qual o percurso que o personagem principal fará para alcançar seus objetivos? É importante ter outro herói para dar bons conselhos ao personagem, como uma mulher sábia, um mágico ou uma velha coruja, que pode contar ao personagem principal que ele tem ajudantes de todos os tipos na sua barriga e que isso é o que o mantém sempre com boa saúde. Pode explicar que um deles, não teve más intenções, mas causou acidentalmente os sintomas e que estes aliados vão ajudá-lo a se livrar dos sintomas, deixando o seu estomago mais forte e completamente curado. Na história, o personagem principal aprende a fazer as coisas que antes não conseguia.
A festa de Spetter é um bom exemplo de uma história que curou. Foi escrita para uma menina que tinha medo de fracassar e que amava os golfinhos. Após apenas uma história, ela ficou mais confiante para jogar basquete, corria para frente com mais frequência e tinha coragem de pedir a bola. Na escola, suas notas em soletração e matemática melhoraram e tudo começou a ficar mais fácil para ela que começou a se divertir mais na vida. A história dizia o seguinte:
Parece que vai ser mais um dia quente. Eram oito horas da manhã e Spetter, deitado, apreciava sua aconchegante cama na água quente e salgada. Logo sua mamãe foi acordá-lo. Spetter pensou nas coisas divertidas que faria hoje na escola. A festa da escola era daqui a alguns dias e hoje era o dia em que eles iriam ensaiar, com empenho, para o grande show dos golfinhos.
A mãe de Spetter interrompeu esses agradáveis sonhos matinais com uma surpresa igualmente agradável: ‘Spetter, Spetter, levante! Venha olhar. Eu tenho deliciosas sardinhas frescas para você. ’
Spetter pulou da cama e nadou até a sua mãe que lhe serviu um delicioso café da manhã. ‘Oh, mamãe, eu sou um golfinho sortudo. Primeiro um café da manhã saboroso e, depois na escola, eu vou praticar para o grande show dos golfinhos no domingo. Você acha que eu vou ser capaz de fazer todas as manobras na festa da escola?’ Spetter perguntou um pouco indeciso.
‘Lógico que fará meu querido, não há dúvida que você pode fazer tudo isto ou eles não teriam escolhido você para estar no show. Eles podem não ter escolhido você no passado, mas agora que você está mais crescido, mais alto e mais forte, é natural que todos queiram ter você participando. ’
Spetter sentiu seus poderosos músculos relaxarem sob sua pele macia. Ele se sentia muito contente.
‘Vamos meu jovem, é hora de ir para a escola. ’
A escola já estava bem cheia. Todos os golfinhos crianças estavam trabalhando para os preparativos da festa. Spetter foi direto para a sala do mar onde seria o grande show. O professor perguntou quem queria demonstrar a primeira acrobacia da festa. Todos os golfinhos ergueram as suas caudas. Todos queriam mostrar como podiam realizar muito bem o salto.
Spetter de repente sentiu falta de ar. Ele já tinha feito a acrobacia mais de 100 vezes, mas de repente não conseguia mais se lembrar de como fazê-la. Ele se sentiu absolutamente infeliz, o coração batendo na sua garganta. Timidamente, ele deu uma olhada para o lado. Será que seus amigos podiam escutar que o coração dele estava batendo muito rápido? Ele não queria ser humilhado, e então ele também levantou a sua cauda. Ele esperava que o professor não o escolhesse. Mas ele não teve sorte! Das quinze caudas erguidas, ele foi o escolhido. ‘Certo Spetter, venha nos mostrar como se faz. Você pode fazer muito bem aquela acrobacia. Vai ajudar se todos enxergarem como fazer. ’
Spetter não sabia o que tinha acontecido com ele. O que ele devia fazer agora? E de repente, ele tomou uma decisão corajosa: ‘Eu vou dizer que não lembro mais. Não tem nada de errado. Eu estou aqui para aprender mesmo. ’ Mas, na hora em que ele ia abrir sua boca, ele sentiu toda a tensão escapar do seu corpo, substituída por uma onda de força interna muito grande. Essa força o recompensou pela sua honestidade. Era como se a força dissesse: ‘Tudo o que você faz é perfeito. Faça sozinho e não se preocupe com o que os outros vão falar sobre você. ’
‘Oi Spetter, pare de sonhar, nós estamos esperando pela sua acrobacia perfeita!’
Spetter sorriu. Ele ainda não tinha saltado, mas já se sentia um vencedor. Ele tinha descoberto a fonte da sua própria força escondida dentro dele mesmo. Ninguém ia poder tirar isto dele. Cheio de coragem, e convencido de que podia conseguir, Spetter afundou na água. Foi o salto mais maravilhoso que ele fez até hoje.
‘Hurra! Hurra! Aí Spetter!’ gritavam seus amigos. Spetter estava contente. Era ele mesmo que tinha feito o salto e não se importava com que os outros pensavam. Ele estava orgulhoso dele mesmo! Para o Spetter, a festa já tinha começado naquele momento!

Baseado no livro Holandês: Healing Stories for Children - Paul Liekens e Ann Delnoy

Essa técnica pode ser utilizada, inclusive, com a EFT. Bater nos pontos, enquanto a história é contada, auxilia na dissolução dos sentimentos negativos e fortalece, ainda mais, a criança.

Experimente, crie e ajude seu filho em sua jornada pela vida que está apenas começando!


4 comentários :

  1. Bom dia EFT.
    Começando com uma bela introdução, histórias que curam.
    A gente tem que ser muito paciente com os filhos, pois nem todos são confiantes. Sempre há um que tem pequenos medos e cabe a nós os pais ensinarem de uma forma que não interceda em seu crescimento, pois um dia quando crescer vai repassar tudo de novo para os filhos e a gente não quer que esta história se acabe entre nós, tem que haver uma continuidade, é assim na infância, a criança precisa ter infância e são estas histórias que curam. Agradeço por ter compartilhado.
    Desejando um ótimo fim de semana.
    Abraços sempre.
    ClaraSol

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    1. Tem razão Clara Sol, a participação dos pais é muito importante.
      Muito obrigada por compartilhar suas conclusões.
      Fique em paz!
      Um abraço

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  2. Muito bacana. Maravilhoso seu artigo.A interação entre pais e filhos é importantíssima e usando as histórias que curam fica fantástico.

    Abraço.
    Andreia

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    1. Muito obrigada Andreia. Temos sempre que encontrar formas de deixar a vida mais leve, não é mesmo?
      Fique em paz!
      Um abraço

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