terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Os arrependimentos

Em um vídeo do Hospital Albert Einstein, uma geriatra analisa os cinco tópicos básicos do livro da enfermeira australiana Bronnie Ware nomeado “The Top Five Regrets of the Dying” (“Os Cinco Mais Importantes Arrependimentos Daqueles que Estão Para Morrer”) baseado na experiência de anos junto a pacientes terminais.

Os cinco maiores arrependimentos são: 
Gostaria de ter tido a coragem de viver a vida que eu queria, não a vida que os outros esperavam que eu vivesse;
Gostaria de não ter trabalhado tanto…
Gostaria de ter tido coragem de expressar meus sentimentos…
Gostaria de ter mantido contato com meus amigos…
Gostaria de ter me deixado ser mais feliz…

Se observarmos os cinco arrependimentos, veremos que um, ou alguns ou mesmo todos, enquadram-se em desejos nossos e que não realizamos.

O primeiro tópico é um desejo primordial, mas que é bem difícil de ser realizado pela maioria das pessoas pelo simples fato de que estamos atrelados, envolvidos, com situações que nos são impostas e que a partir deste momento, não temos como sair. Talvez pudéssemos nunca ter entrado nesta situação ou mesmo, pudéssemos nos preocupar um pouco mais com nós mesmos e sair dela, sem se importar muito com as consequências, mas realmente é difícil. São decisões que temos que tomar e vamos protelando, e levando a vida até que se chega ao fim e bate o arrependimento. Principalmente quando insistimos em fazer tanto pelos outros e quando vemos, estamos cobrando do outro uma recompensa, quando na verdade, o outro nada nos pediu.
O segundo é um clássico. Mesmo quando o nosso trabalho é um trabalho que conscientemente escolhemos e temos a certeza de ser prazeroso, com o tempo, ele nos desgasta e toda aquela dedicação parece ter sido em vão. No outro caso, e que é da esmagadora maioria, em que trabalha-se tão somente pela necessidade e não com prazer pelo o que se faz, o sofrimento ainda é maior, compensado talvez pelos benefícios materiais que este trabalho traz mas que nem sempre são o suficiente ou mesmo, compatíveis com tanta dedicação.

Expressar os sentimentos, como mostra o terceiro item, é mister, mas assim como no primeiro item, envolve todo um contexto social, cultural e que nos faz por vezes engolir sapos, guardar mágoas e rancores, se abster-se de uma manifestação e se conformar com tudo o que não está correto para nós. Muitos adoecem por conta disto.
O quarto item fala da amizade e lembro aqui de Richard Bach em seu livro Ilusões onde diz serem os laços de amizade mais fortes que os laços de sangue, e é claro que são. A amizade se conquista, se nutre de bem querer e cresce e envolve pessoas, diferente do parentesco que é pautado em uma regra convencional e uma linhagem genealógica.
Quantos amigos nós perdemos ao longo da vida. No fim dela, utopicamente de certo é um desejo tê-los todos reunidos.
E por fim, um arrependimento que nasce do arrependimento dos outros quatro, um resumo, “gostaria de ter me deixado ser mais feliz”. Pois é, será que vale a pena esperar a proximidade da morte para pensarmos nisto?


* Texto de Fernando Martins

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